Ao vaguear no PlanetGeek descobri este post do JotaCapa sobre as recentes apostas do governo em ensino qualificado logo desde a base (supostamente) garantindo tanto saídas profissionais, como a possibilidade de ingressar no ensino superior se tal o aluno desejar.
Bem, achei mesmo que o melhor seria dar a minha opinião num novo post já que tenho algumas coisas a acrescentar.
De facto, só cai nas novelas cor-de-rosa do Ministério e não vê as suas intenções quem não quer. É tudo muito bonito, tudo muito facilitado, mas no fundo aquilo que se afigurava ser uma estrada calcetada e uma ida de patins até ao destino torna-se caminho bravio, cheio de silvas, a desembocar num desfiladeiro onde os alunos caem, pela força da gravidade forçosamente atraídos para o mercado de trabalho. Isto parece ser assim nos profissionais, o que até não é de estranhar, pois é esse o objectivo, mas acaba por ser igual nos chamados de «cursos tecnológicos», aroma diferente para a mesma substância acastanhada, que o ministério achou por bem instaurar com a reforma do ensino secundário de há três anos atrás.
Pois é, tudo na altura pareceu muito alegre para os alunos que ingressavam no 10º ano. Finalmente teriam uma maneira de aprender aquilo que queriam seguir na sua vida futura, sem comprometer o acesso no ensino superior. Passados 3 anos o que aconteceu? Muito pior que não terem aptidões para os exames que vão executar é precisarem, para o dito ingresso, de exames às disciplinas que nunca deram!
Falo da informática, pois é o caso com que estou mais a par. Neste momento muitas universidades do país requerem para uma simples Engenharia Informática, como provas de ingresso, os exames de Matemática A ou B e Física e Química A. Qual o problema disto? Precisamente os alunos dos tão risonhos tecnológicos nunca terem tido nenhuma disciplina versão A de Física e Química, mas sim B, cujo exame nem existe. Não é necessário dizer o quão diferentes são os programas, pelo que se torna quase impossível a um aluno "tecno" o ingresso na vida universitária mesmo que se candidate como externo ao exame de FQ A.
E são estas as grandes e novas oportunidades que o ministério dá aos seus alunos.
P.S.: como "ministério" não se deverá associar especificamente o actual, já que a reforma que critico veio do anterior governo, mas como o actual não melhorou, todo o sentido depreciativo do post recai sobre todos aqueles que nos têm tão vergonhosamente governado.


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Ainda acrescento o facto de em Matemática B, o exame servir para três cursos diferentes: Artes visuais (2 anos * 3 * 90min), Tecnológicos (3 anos * 2 * 90 min) e Matemática aplicada às ciências sociais (humanidades ou algo do género, não sei o horário lectivo).
O ministério de educação não parece seguir a lógica do “como os nossos alunos vão apreender mais e melhor”.
Eu sou um dos que cairam nisto, mas não tou assim tão mal, para aonde quero ir só pedem como prova de ingresso a prova 16 ( MAT/MAT A/MAT B).
Estou exactamente na mesma posição que vocês…
Resultado: Faço exame a Matematica B, pois nao tenho tempo, disponibilidade e paciência para ser auto proposto e ter explicações de FQA.
Criam os cursos… depois arrependem-se…por isso é que o curso ja acabou.