Sobre a liberdade de expressão…
11 May, 2007 por vbmaster
Que raio de título. Afinal, não vivemos nós no país que se orgulha dos cravos que ostentou no dia que há pouco mais de duas semanas se celebrou? Claro que vivemos mas, no fundo, a batalha sobre os direitos individuais alarga-se e expande-se, e chega a domínios onde nunca antes poderíamos sequer pôr a questão da consequência para nós próprios da opinião dada.
A Internet floresceu, naturalmente e selvagem, sem regras que regulassem o que podia ser dito ou feito. Não será de estranhar, no entanto, que com o seu crescimento, um maior e crescente número de entidades queira impor um limite aos utilizadores, antes oculto e relativamente distante por trás do invisível horizonte.
Como a chita que por devagar se aproximar não se nota o decréscimo da distância que a separa da presa, também tais entidades, sossegadamente, sem alarido, vão apertando o cerco, impondo aquilo que pensam ser justo por se aplicar na chamada “vida real” ou, mais grave ainda, retirando até aquilo a que temos direito nessa mesma instância. Casos abundam, sem contar desde logo com os países que já à partida restringem na net o que também não permitem na sociedade.
A gravidade disto pode não ser suficiente para criar uma singularidade no espaço-tempo que engula, qual buraco negro, tudo aquilo que tenta ser uma prisão para a nossa mente, mas convém que os utilizadores (que mais não são que cidadãos) se apercebam dos pequenos casos, que aprendam com a história do anterior sucedido para prever o que poderá advir, e com isso se revoltem. Nada, mesmo nada, mas mesmo mesmo nada, pode-nos impedir de dizer o que achamos que vai mal. As opiniões valem ouro, as opiniões e as vontades, são elas que levam a grandes mudanças no nosso mundo.


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Muitos parabéns por este post. Infelizmente só agora dei com este site e vi esta entrada, e o que me motivou a aparecer por aqui foi a súbita notícia que me chegou aos circuitos do PC numa outra comunidade. A notícia parece-me óbvia e não vale a pena dizer qual.
Lembro-me, e ainda bem que tenho memória para recordar, dizia, lembro-me de há uns valentes anos atrás, quando conheci uma grande comunidade, quando achei que realmente valia a pena ter algo que pudéssemos dizer: “isto é nosso, é de todos nós, tomem, partilhem também e ofereçam igualmente o que de melhor têm para ela”. Não foi preciso muito para reconhecer que tudo não passava de um sonho de muitos e de alguns que ainda acreditam nele. Mas desde o início (e abram os olhos porque é do que se trata) que aquilo era o sonho de apenas uma pessoa, e ai de quem mexer com ele. Afinal de contas, até que ponto chega o valor de um fundador? Deve chegar onde tudo começou, ou seja, ao nada. Esperemos que não, mas o céu anda nublado… Afinal de contas, diz a boa sabedoria, que tudo é um ciclo, especialmente quando tudo gira em torno de uma só coisa. É uma comunidade uma coisa? Girasse tudo em torno de uma comunidade livre e as coisas eram muito mais transparentes.
E tudo isto para quê? Para entrar na questão da liberdade de expressão, das opiniões, e num mundo obscuro para muito boa gente que vota no Salazar, ou pensa que vota, nos grandes portugueses, ou que simplesmente está, a cada minuto e a cada intervenção, a dar-lhe razão. E depois concluímos e pergunta-mos a nós próprios: “Afinal, o que é uma comunidade?”
Depois os anos passam, a desilusão aumenta e vemos que as comunidades não passam de sonhos, e para que as coisas resultam e para que as pessoas continuem unidas surgem outras alternativas, surge o escape para que o sonho não morra. Vale o que realmente interessa: As pessoas que se conheceram e que, uns mais, outros menos, partilharam um pouco com todos e agora limitam-se a continuar a fazer o mesmo, anonimamente e, estes sim, e só estes, sem ganhar nada com isso.
Um dia todas as nuvens negras se dissiparão e virá um sol, e um céu azul grande, muito grande, mas não grande o suficiente para que se não possam ouvir os ecos.
Ecoem portanto.
Abraços.
Não acho que as comunidades passem de sonhos.
Acho que algumas comunidades não passam dum sonho. Tal como falas-te, tudo depende do fundador…
Se é ‘ditador’ ou não, isso é com ele.
O problemas está se o responsável máximo segue critérios éticos aceitáveis. Tal como nos países de “3ª mundo” se os representantes forem corruptos, não há recursos ou ajudas que os safem.
Na net ainda temos a sorte de poder escolher onde se inserir. Teoricamente os melhores lideres serão seguidos pela comunidade. Claro se só faz sentido falar em escolha se quem escolhe sabe as opções/condições/etc. O que não acontece, pois nunca sabemos quem está por de trás da opção que se toma. A transparência é a melhor forma de uma comunidade existir.
Sem usar o caso acima referido, podemos ver o que se passou no Digg. A censura e a falta de transparência provocou uma revolta dos utilizadores. No fim a administração teve que ceder. A questão fica será que isto acontece sempre.
As comunidades não são sonhos, são como tudo. Têm um principio e um fim. Onde acaba uma começa outra.
Peço desculpa, mas creio que fui mal interpretado. Quando falei que uma comunidade não passa de um sonho era no sentido de: > tudo depende de nós para que ele se mantenha vivo uma comunidade deve partilhar do sonho de todos e não do sonho de apenas um <
Nunca quis tirar o mérito às comunidades. Aliás uma comunidade nasce de um sonho, matem-se e alimenta-se do sonho e acaba quando o sonho desvanece.
Abraços.