GNU/Linux no ensino básico e secundário?
10 May, 2007 por vbmaster
Sem dúvida qualquer um de nós acha previamente meritória qualquer notícia que diga respeito à inclusão, nos programas da disciplina de TIC (dada ao 9º e 10º anos de escolaridade), de conteúdos programáticos relacionados com o opensource. No fundo, os verdadeiros agentes de desenvolvimento do país serão, num futuro não muito longínquo, os jovens destas idades. Mas, mais que preparados para saberem dominar uma tecnologia enraizada na sociedade, esses mesmos agentes deverão ter em si, sobretudo, a capacidade de se adaptarem rapidamente a qualquer tecnologia, qualquer standard, num mundo caótico como é o das TIC, justificando-se deste modo a aprendizagem de GNU/Linux.
No entanto, será que é verdadeiramente leccionado ou abordado qualquer destes temas nas escolas portuguesas? A resposta, infelizmente, não passa de um redondo não. Tanto nos deparamos com o comum professor que, não dominando o suficiente o tema que deveria ensinar, se refugia nos que domina (leia-se, na tecnologia dominante), quiçá para não perder o seu reconhecimento de professor por parte dos alunos, bem como as supostas instalações de Linux nos pc's das escolas portuguesas, são para o conhecido "inglês ver", coisa que este poderá fazer no vago instante em que o Bootloader do winXP apresenta que há, de facto, uma escolha a fazer, mas que nunca é feita para o lado do opensource.
Haver uma escolha já não seria mau de todo, mas agrava-se ao ponto de tornar-se inútil quando reparamos que, no fundo, as instalações de Caixa Mágica ou Alinex (as mais comuns), não raras vezes não passam sequer do loading.
Justifica-se, assim, os contratos que o governo não se cansa de fazer (e publicitar) com a Microsoft? Com este cenário qualquer tentativa de remodelação completa das plataformas do sistema de ensino parece impossível, ainda que economicamente rentável a longo prazo.
Denote-se também, o profundo mau gosto dos elementos reguladores da disciplina de TIC do ministério, ao delegarem as distribuições já referenciadas como alternativa ao WindowsXP, uma delas recente de mais para o mérito que tem tido, e qualquer uma delas nem por nada a melhor escolha quando comparada com o Universo dos "buntus"…
Se os jovens de hoje não aprendem, também não irão utilizar no futuro por sua própria vontade, e deste modo, dificilmente alguma mudança se fará neste país, continuando o Linux a ser delegado para algo restrito ao ambiente universitário em cursos ligados às TIC.
P.S.: Pede-se para que qualquer caso de "sucesso" que contradiga a visão pessimista do post seja descrito num comentário. Quem sabe o pessimismo não dê lugar ao optimismo…


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Há que salientar que muitos dos jovens (pelo menos no meu “universo”) nem estão preparados para as novas tecnologias. Passando a parte do ligar MSN, IE e E-mule (e mesmo esse…), muitos denotam dificuldades no manuseio de computadores.
GNU/Linux devido a sua comunidade extremamente activa e cooperante podia ser um excelente meio para incentivar os jovens a mexer no computador sem ser só para jogos.
Infelizmente muitas vezes as escolas não têm “know-how”, os professores de TIC muitas vezes não são eng. informáticos, são de outras disciplinas com uma formação nos conteúdos a abordar em TIC e desses duvido (a não uns poucos) que tenham conhecimentos (e muitas vezes interesse) em GNU/Linux.
Uma aposta séria em GNU/Linux / Open source com p.e. a cooperação das universidades traria certamente uma mais valia ao paÃs.
PS: O que eu vejo é que a não ser que sejamos nós (pessoas que gostam de GNU/Linux) a incentivar e informar o seu uso a maioria mal sabe o que é Linux, até porque não o dão (com raras excepções, que devem haver mas que não tenho conhecimento) nas escolas.
Posso dizer que na minha escola houve uma pequena vitória.
No primeiro perÃodo, aquando da apresentação dos conteúdos, foi dito que GNU/Linux era um “sistema operativo alternativo grátis e de código aberto que, por falta de tempo, não seria leccionado”.
No segundo perÃodo, as instalações de Caixa Mágica, que sofriam do mal que descreves-te que era não passarem do loading, foram substituÃdas por instalações de Alinex. Estas passavam do loading.
Assim, todos os alunos iniciaram durante cerca de 10 minutos o Alinex e puderam conhecer o Firefox.
Apenas uma pequena vitória…
Na escola onde fiz o nono ano, o professor usava Suse, e houve umas duas ou três aulas onde “brincámos” com ele, mas não passou disso.
Na escola onde ando agora, e onde fiz o 10º ano, alguns computadores tinham uma instalação do Caixa Mágica, mas que na maioria dos computadores dava um erro a arrancar, nunca percebi bem porque. O professor disse que se no fim do ano tivéssemos tempo, que irÃamos abordar Linux, facto que acabou por nunca acontecer.
Infelizmente, é o cenário de mais uma escola secundária portuguesa.
O problema não está exactamente nos professores, está mais nos programas, bem como naquilo que a maioria dos utilizadores usa. Se por um lado se deverá combater a pirataria, então quem decide, também deveria decidir que os SO’s instalados fossem free open source e o Linux, ou então que todos os SO’s da M$ fossem legalizados.
O Linux é abordado a nÃvel do último ano dos Cursos Complementares, é certo que o SO é falado a nÃvel do 10º, porém só é ensinado a instalar a nÃvel do 12º.
Por outro lado o ME tem protocolos feitos com o Caixa Mágica, o Alinex e com o Ubuntu.
Em casa, apesar de ter os dois sistemas, tenho por hábito fazer tudo no Ubuntu. No entanto no meu local de trabalho tenho mesmo que utilizar Windows, pois que tenho programas adquiridos que só funcionam mesmo com esse sistema.
Quer me parecer que o que falta acima de tudo é divulgação. o objectivo será principalmente converter primeiro, não as massas, mas aqueles que possuem maior capacidade ou interesse por informatica e que continuam a utilizar versoes do windows. estas pessoas estão, à partida, mais predispostas a experimentar um SO altenativo.
Quanto aos professores de informatica que pululam pelas escolas deste pais provavelmente 99% nem têm interesse ou vontade de abordar o linux em profundidade nas aulas.
“Se os jovens de hoje não aprendem, também não irão utilizar no futuro por sua própria vontade, e deste modo, dificilmente alguma mudança se fará neste paÃs, continuando o Linux a ser delegado para algo restrito ao ambiente universitário em cursos ligados à s TIC. ”
Eu não esperei pelo futuro para aprender por própria vontade. Já uso GNU/Linux há quase 3 anos e foi sempre por minha vontade
“P.S.: Pede-se para que qualquer caso de “sucesso” que contradiga a visão pessimista do post seja descrito num comentário. Quem sabe o pessimismo não dê lugar ao optimismo… ”
Eu tenho um caso de sucesso! Estou no 10º ano em Informática e em Aplicações Informáticas “vamos” aprender algo superficial do sistema.
Aliás, eu até é que vou dar aulas e não a professora. LOL
Não sei é se os computadores de lá aguentam com estas distros da moda.
Por isso aqui está um caso de (quase) sucesso.
Aplicações Informáticas é diferente de TIC. É para quem escolhe o curso tecnológica de informática (o nome se não for assim, é semelhante).
Mas TIC é obrigatório para todos os outros cursos. Logo, as pessoas de cursos diferentes de informática apenas contactam com programas com elevados custos pelas suas licenças e que (wow) são da Microsoft. A isto denomina-se de monopólio, e o Estado ainda ajuda…
Estas pessoas que não conhecem outros programas vão continuar sempre a usar esses… O problema (será?) é que usarão software pirateado pois, sejamos realistas, quem tem dinheiro para gastar a comprar o Windows e o Office? Apenas uma pequena parte da população…
Ok. Não tinha reparado que se referiam às TIC. Em TIC agora estou aprender M$ Access, que LOL.
Podiam aproveitar e ensinar de vez SQL utilizando o MySQL que é SL.
Do que eu conheço pelas minhas aulas de TIC essa experiência (de MySQL) da parte dos professores é nula.
Penso que os cursos de TIC que o CR_ falou devem só abordar office… Este ano dei Excel, Access e FrontPage. Pelo meio dei 3 aulas de Flash com o Flash Portable (que só mesmo por acaso penso que a escola não tem licença
).
Penso que a única coisa “como deve ser” que aprendi ainda foi o Excel pois funciona para qualquer folha de cálculo, desde o OpenOffice Calc à folha de cálculo do Google.
Quanto a Access, aquilo foi só passar dados para tabelas e FrontPage não se dá nada de código. Para além disso ensina-se a fazer coisas que apenas funcionam com as extensões ISS do Windows, logo se alguém que apenas tenha experiência de uma aula de TIC quer fazer um site e usá-lo, e resolver meter formulários e mais umas tretas quaisquer está tramado para alojar o site…
Penso que os programas de TIC deveriam levar uma grande reformulação e deveriam começar a ser leccionado por alguém com formação decente.
“Aplicações Informáticas é diferente de TIC. É para quem escolhe o curso tecnológica de informática (o nome se não for assim, é semelhante).”
A disciplina Aplicações Informática não é só para cursos tecnológicos de informática. Eu tenho colegas (curso ciências e tecnologias - 12º ano) que têm A.I. desde o 11º ano. Eles em vez de escolherem F.Q. e B.G. (como eu) no 10º ano, escolheram só F.Q. e depois foram obrigados a optar por outra disciplina bienal (2 anos) no 11º ano, optando por A.I….
Tinha a ideia que A.I. para o Curso de Ciências e Tecnologias era apenas de um ano (uma das opcionais no 12º tal como disses-te).
De qualquer modo, na minha escola não há.
Só faltando referir que, das inúmeras escolas secundárias do paÃs, só as de maiores dimensões oferecem de facto essa disciplina aos seus alunos.
kraiser, mas é AI A ou AI B? É porque existe uma diferença
Viva,
Sou professor de informática e já leccionei a disciplina, logo falo com conhecimento de causa.
Dentro das aplicações informáticas, existem a A e B.
Aplicações Informáticas A é uma disciplina exclusiva do curso tecnológico de informática. API B é uma disciplina de opção para os outros cursos do secundário.
Em aplicações informáticas A - 10º aprende-se a instalar o Linux, instalar aplicações, configurar o SO e usar aplicações de produtividade (OpenOffice).
Para a maior parte dos alunos é o primeiro contacto com o Linux, já me aconteceu alguns gostarem tanto que passam a usar cada vez menos Windows.
Pois, vem de encontro do que foi dito: os únicos contactos maiores com GNU/Linux fazem-se ao nÃvel de cursos de informática…
Todas as outras pessoas, são preparadas apenas e só nos standards, descuindado-se o factor imprevisÃvel do mundo da informática que constantemente é capaz de substituir as tecnologias generalizadas.